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Por Carlos Brickmann O presidente americano George Bush (o bom, não o filho) tinha obtido uma bela vitória na Guerra do Golfo, libertando o Kuwait, ocupado pelo Iraque. Sentia-se (e parecia) reeleito. Mas não deu atenção aos sinais de crise econômica, ...

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Quem manda é o custo de vida- coluna Carlos Brickmann

Publicado por: Redação
10/02/2022 06:34 AM
Agencia Brasil
Agencia Brasil

Por Carlos Brickmann

O presidente americano George Bush (o bom, não o filho) tinha obtido uma bela vitória na Guerra do Golfo, libertando o Kuwait, ocupado pelo Iraque. Sentia-se (e parecia) reeleito. Mas não deu atenção aos sinais de crise econômica, com elevação do desemprego. Bill Clinton ganhou as eleições.

 

Há quem diga que o eleitor vota com o coração. Mas só até certo ponto: em última análise, quem vota mesmo é o bolso. Isso explica a supremacia de Bolsonaro no Centro-Oeste, onde a agropecuária gera empregos e salários. Claro, há quem vote na reeleição por achar que Bolsonaro é um mito. Mas a falta de empregos e a elevação dos preços são os grandes eleitores do país.

 

Vai um cafezinho? O café subiu 80,8% de janeiro a janeiro. O açúcar está 50,4% mais caro. Pãozinho com manteiga? Pão,12,8%. Manteiga, 7,6%. O levantamento é do ótimo jornal eletrônico Giro News (www.gironews.com), especializado em consumo. O tomate subiu 62,8%. Cozinhar ficou bem mais caro: óleo de soja (6,1%), farinha de trigo (20,4%). A cesta básica fechou o ano custando 7,5% a mais nos supermercados. Acha pouco?

 

A menos que o caro leitor pertença a essas profissões onde o penduricalho dá de 7x1 no salário, quem teve aumento de 7% no último ano? Há mais um problema: descer de nível irrita mais do que não conseguir subir. E aqueles que, sem emprego, consomem poucos alimentos, isso quando os conseguem, e se lembram de quando havia mais comida? Em outubro, como irão votar?

 

Combustíveis para cima

Lembremos: o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, soube pelos jornais que Bolsonaro não o queria mais no cargo. Motivo: a subida do preço dos combustíveis, especialmente do diesel. O substituto, com a missão de botar ordem nos preços, foi um general de exército, antigo ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna. O problema é que a alta dos combustíveis é provocada, na maior parte, pela alta do petróleo. O petróleo subiu muito e, com a crise Rússia-Ucrânia, deve subir mais ainda. Os russos, que fornecem gás à Europa, fecharam um pouco as torneiras, reduzindo o fluxo em 10%. Os europeus entraram comprando no mercado de petróleo. A OTAN, que une países europeus e Estados Unidos, informa que se a Ucrânia for invadida o gasoduto Nord Stream 2 ficará inativo – o que deixa a Rússia sem dinheiro mas a Europa com menos gás, comprando o petróleo que houver. O Governo brasileiro já prometeu duas vezes, sem êxito, segurar o preço do diesel. O general Silva e Luna informou que manter os preços exigirá reduzir muito os impostos. Isso funciona por algum tempo, pouco: mantendo-se a tendência de alta do petróleo, não há o que segure gasolina, diesel e gás engarrafado, a menos que o Governo sugue a Petrobras e a leve ao risco de sofrer processos de investidores na Bolsa de Nova York.

 

Recordações

Como prometia o candidato Bolsonaro, haveria liberalismo na Economia e conservadorismo nos costumes. O liberalismo na Economia meio que já foi esquecido. Quanto ao conservadorismo nos costumes, a Safernet recebeu, só no ano passado, 101.833 denúncias de pornografia infantil na Internet. Desde 2011 a Safernet não recebia mais de cem mil denúncias de pornografia infantil por ano. Fora isso, houve no ano passado 5.347 denúncias de páginas de ódio a homossexuais – 1% acima de 2020. O neonazismo floresceu: 60% mais denúncias que em 2020. O site da Safernet para denunciar crimes de Internet é https://new.safernet.org.br/denuncie. As denúncias (anônimas) vão às autoridades para que investiguem e retirem da web o conteúdo ilegal.

 

O alvo real

Boa parte das legendas que lançaram candidato à Presidência até ficariam felizes se tivessem condições de ganhar o cargo, mas seu objetivo real não é este: é conseguir uma boa bancada parlamentar. O negócio é ótimo: com a grande bancada, o partido passa a ser mais mimado pelo Governo, já que seu apoio pode decidir quem manda no Congresso. Ser mais mimado significa ter bons cargos, daqueles que permitem contratar muita gente, e verbas boas, que decidirão como usar da melhor maneira possível – diga-se a bem da verdade que até abrem mão de decidir sozinhos, entregando a definição do uso do dinheiro a uma comissão bem representativa. Mas não é só: uma boa bancada parlamentar dá acesso ao caminhão de dinheiro público destinado aos partidos. Vale a pena perder se é para ser confortado por essas verbas.

 

Velhas lembranças

Da ótima coluna de Lauro Jardim (https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/), em O Globo, sob o título Lula, Dilma, a missa e o ...Santo:

“Depois de ser cobrado por Dilma Rousseff (‘O Alckmin vale uma missa?’) sobre eventuais riscos de uma aliança com o ex-governador, Lula respondeu com um ‘sim’, segundo o relato da repórter Catia Seabra.

“Poderia ter complementado a resposta lembrando o apelido de Alckmin na lista da Odebrecht. Ali, o político que vale uma missa era o... ‘Santo’”.

 

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